Guia · Hidratação
Hidratação na gestação e na amamentação: o que muda
Na gestação e na amamentação, o corpo precisa de mais líquidos, e ao mesmo tempo enjoo, azia e a rotina com o bebê dificultam beber água. Este guia explica o que muda, como facilitar o dia a dia e quando procurar o médico.
A hidratação na gestação e na amamentação costuma gerar muitas dúvidas, e também muita informação desencontrada. É uma fase em que o corpo realmente precisa de mais líquidos, mas em que beber água nem sempre é simples: tem enjoo, azia, a bexiga apertada no fim da gravidez e, depois, a rotina intensa com o bebê. Neste guia, eu reúno o que se sabe e dicas práticas. Ele é informativo e não substitui a orientação do seu obstetra, que acompanha a sua gestação de perto.
Por que a necessidade de líquidos muda na gestação?
Durante a gestação, o volume de sangue da mulher aumenta bastante, forma-se o líquido amniótico e os tecidos crescem. Tudo isso depende de água. A temperatura do corpo também tende a ficar um pouco mais alta, o que aumenta a perda pelo suor, especialmente no calor.
Na amamentação, a lógica é ainda mais direta: o leite materno é composto principalmente de água, e essa água vem do que a mãe bebe e come.
Quanta água beber na gestação?
A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) tem uma referência populacional para isso. Ela estima, para mulheres adultas, uma ingestão adequada de cerca de 2,0 litros de água total por dia, somando bebidas e alimentos, e considera um acréscimo de cerca de 300 mL por dia na gestação.
Esse número é uma referência para populações, não uma prescrição individual. A necessidade de cada gestante varia com o peso, o clima, a atividade física, o enjoo, a presença de vômitos e as condições de saúde. Em algumas situações, o obstetra pode orientar quantidades diferentes, e essa orientação vem em primeiro lugar.
Um bom termômetro do dia a dia é a cor da urina: amarelo-clara costuma indicar boa hidratação. O teste de hidratação do site não foi pensado para a gestação, então use-o só como curiosidade sobre os seus sinais, não como meta.
Enjoo na gestação: como manter a hidratação
Enjoo é muito comum, principalmente no primeiro trimestre, e pode fazer a água "não descer". Algumas estratégias que costumam ajudar:
- Beber em goles pequenos e frequentes, em vez de um copo grande de uma vez.
- Preferir os líquidos entre as refeições, e não junto delas, se a sensação de estômago cheio piora o enjoo.
- Testar a água bem gelada, com gás, com rodelas de limão ou em forma de gelo para chupar.
- Apostar em alimentos ricos em água: frutas como melancia e melão, picolé de fruta caseiro, sopas e caldos frios ou mornos.
- Ter água ao lado da cama, para beber aos poucos ao acordar à noite ou de manhã.
Se você vomita várias vezes ao dia, não consegue manter nem líquidos no estômago, urina muito pouco ou sente tontura, procure o seu médico ou a maternidade. Vômitos intensos na gestação precisam de avaliação e podem exigir tratamento.
Beber água ajuda no inchaço da gestação?
É comum pensar que beber água piora o inchaço, mas não é assim que funciona. O inchaço leve nos pés e tornozelos, principalmente no fim do dia e no terceiro trimestre, é frequente na gestação e tem a ver com as mudanças na circulação, não com a água que você bebe. Reduzir a água não resolve e pode atrapalhar.
Mas atenção: inchaço que aparece de repente, principalmente no rosto e nas mãos, ou que vem com dor de cabeça forte, visão embaçada, pontos brilhantes na visão ou dor na parte de cima da barriga, precisa de avaliação médica imediata, porque pode ser sinal de pressão alta na gestação.
Constipação e infecção urinária na gestação
O intestino preso é muito comum na gravidez, por causa das mudanças hormonais e da pressão do útero. Líquidos suficientes, junto com fibras de frutas, verduras, legumes e grãos integrais, e movimento conforme liberado pelo médico, são parte dos cuidados gerais. Fibras sem água, aliás, podem piorar a constipação.
A infecção urinária também é frequente na gestação e nem sempre dá sintomas claros. Beber líquidos faz parte do cuidado geral, mas não substitui o tratamento. Ardor ao urinar, vontade de urinar toda hora, dor no pé da barriga, febre ou dor nas costas devem ser levados ao médico.
Café e chás na gestação
Segundo a EFSA, um consumo de cafeína de até 200 mg por dia na gestação, somando todas as fontes (café, chá preto, chá verde, mate, refrigerante de cola, chocolate), não traz preocupação de segurança para o bebê. Eu explico quanto de cafeína cada bebida tem em café faz mal? Quantas xícaras por dia.
Com os chás de ervas, o cuidado é outro: algumas plantas não são indicadas na gestação, e "natural" não significa seguro nessa fase. Antes de tomar chás de ervas com regularidade, pergunte ao seu obstetra quais estão liberados para você.
E sobre bebidas alcoólicas, a orientação do Ministério da Saúde é não consumir na gestação.
Quanta água beber na amamentação?
A EFSA considera, para a amamentação, um acréscimo de cerca de 600 a 700 mL por dia em relação à referência da mulher adulta. Mais uma vez, é uma referência populacional: na prática, a sede costuma aumentar bastante nessa fase, e ela é um bom guia para mulheres saudáveis.
Duas ideias que aparecem muito e merecem esclarecimento:
- Beber muito além da sede não aumenta a produção de leite. A produção depende principalmente da frequência e da eficácia das mamadas. Beber de acordo com a sede é o mais indicado.
- Não existe bebida "que dá leite". Se você sente que a produção está baixa, procure o pediatra, um banco de leite ou uma consultora de amamentação para avaliar a pega e a rotina das mamadas.
Como facilitar a hidratação com o bebê no colo
- Tenha um copo ou garrafa com água sempre no lugar onde você amamenta.
- Associe cada mamada a alguns goles de água. A sede costuma aparecer justamente nesse momento.
- Prefira recipientes que se abrem com uma mão só, com tampa e canudo, para não derramar sobre o bebê. Comentei esse formato em garrafa térmica com canudo vale a pena?
- Deixe frutas lavadas e cortadas na geladeira, para lanches rápidos que também hidratam.
- Peça ajuda: quem está por perto pode encher a garrafa e levar até você.
Para mais ideias de como transformar a água em rotina, veja como criar o hábito de beber água.
Sinais de alerta: quando procurar o médico
- Vômitos frequentes ou incapacidade de manter líquidos.
- Urina muito escura, em pouca quantidade, ou ficar muitas horas sem urinar.
- Tontura, desmaio, coração acelerado ou confusão.
- Inchaço súbito no rosto e nas mãos, dor de cabeça forte, alterações na visão.
- Ardor ao urinar, febre ou dor nas costas.
- Contrações, sangramento ou perda de líquido pela vagina.
- Diminuição dos movimentos do bebê.
- No pós-parto: febre, mama vermelha, quente e dolorida, ou sangramento aumentado.
Quando vale procurar uma nutricionista
A gestação e a amamentação são fases em que a alimentação tem um papel enorme, e o acompanhamento nutricional, junto com o obstetra e o pediatra, ajuda a lidar com enjoo, azia, constipação, ganho de peso e com a rotina corrida do pós-parto. Esse cuidado faz parte do acompanhamento em saúde da mulher, sempre de forma individual e em conjunto com a equipe médica.